quinta-feira, 12 de março de 2009

As boazinhas que me perdoem...


Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:
Mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação, e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito.
Da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
Ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
Que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
Que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,
Seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha:
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
Cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
Crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas,
Enquanto íamos alimentando um
Desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil:
Somos atrizes, estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos. Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância. PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções, é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
Apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As "inhas" não moram mais aqui.
Foram para o espaço, SOZINHAS!

Martha Medeiros

Sem mais comentários...

Bjôooooo

4 comentários:

Gabrielle Solis disse...

nossa...
minha mãe insistia em dizer p td mundo q eu era "boazinha" na adolescencia... acho q foi o principal motivo das minhas loucuras ahauahaahaauhauaahauahau
BOAZINHA É **********************

bjoks

Olavo disse...

Será que dá para ter uma mistura das duas??eu adoraria..
beijão

Elisangela Sottili disse...

Nossa...é a pura verdade!Amei o texto e viva a nossa independencia!!!

Zingara disse...

ÓTIMO! Estamos conscientes do que queremos e BRADAMOS POR ISSO!
Beijos,
Zin